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Meu filho pode ter autismo? Um guia para pais que estão com dúvidas

Atualizado: 18 de abr.



Você percebeu algo diferente no desenvolvimento do seu filho. Talvez ele demore para falar, evite o contato visual, se isole das outras crianças ou reaja de forma intensa a sons e texturas. Talvez alguém da escola tenha dito alguma coisa. Talvez seja apenas uma sensação sua mas que não passa.


Esse momento é difícil. E é muito comum que os pais fiquem meses, às vezes anos, sem saber o que fazer com essa inquietação.

Este texto foi escrito para você.


O que você está sentindo tem nome


A mistura de preocupação, dúvida e medo que você sente ao observar algo diferente no seu filho é uma das experiências mais comuns entre pais de crianças com TEA o Transtorno do Espectro Autista. E o mais importante: perceber cedo faz toda a diferença.

Não porque o autismo seja um problema a ser resolvido, mas porque crianças que recebem suporte adequado nos primeiros anos de vida têm muito mais recursos para se desenvolver, se comunicar e se relacionar com o mundo.


Quando devo procurar ajuda?


Não existe uma resposta única, mas alguns sinais merecem atenção independentemente da idade da criança:

  • Não sorri de volta ou raramente demonstra expressões sociais

  • Parece não escutar quando chamam pelo nome

  • Evita o contato visual ou "olha através" das pessoas

  • Teve linguagem e regrediu — parou de falar palavras que já usava

  • Repete frases, sons ou movimentos de forma constante

  • Tem reações muito intensas a barulhos, texturas ou mudanças de rotina

  • Prefere fortemente objetos a pessoas

  • Tem grande dificuldade para interagir com outras crianças


Nenhum desses sinais isolados confirma o autismo. Mas a presença de vários deles, especialmente com frequência e intensidade, é um sinal de que vale a pena conversar com um profissional.


Uma ferramenta para organizar sua observação


O ABC — Autism Behavior Checklist é um instrumento criado para ajudar pais, professores e cuidadores a registrar e quantificar comportamentos associados ao autismo. Ele não faz diagnóstico — isso é papel do médico ou psicólogo —, mas ajuda a colocar em palavras o que você está observando e a chegar na consulta com informações mais claras.

Responda os 57 itens abaixo com sim ou não, baseado no comportamento do seu filho nas últimas semanas. O resultado aparece em tempo real.



Como interpretar o resultado

Pontuação

O que significa

0 – 53

Abaixo do ponto de corte para autismo

54 – 67

Zona de atenção — vale investigar

≥ 68

Comportamentos consistentes com autismo

Pontuação baixa não significa que tudo está bem se você ainda sente que algo não está certo. Confie na sua percepção e converse com o pediatra.

Pontuação alta não é um diagnóstico. É um sinal de que você deve buscar avaliação especializada o quanto antes.


Quem procurar?


O caminho mais comum começa pelo pediatra, que pode fazer o encaminhamento para:

  • Neuropediatra — avaliação do desenvolvimento neurológico

  • Psicólogo infantil — avaliação cognitiva e comportamental

  • Psiquiatra infantil — especialmente em casos com comportamentos mais intensos

  • Fonoaudiólogo — quando há atraso ou alteração na linguagem

No SUS, o ponto de entrada costuma ser a UBS (Unidade Básica de Saúde) ou o CAPS Infantil (CAPSi), que oferece atendimento multidisciplinar gratuito para crianças com suspeita ou diagnóstico de TEA.


O diagnóstico não muda quem seu filho é


Saber que seu filho tem autismo não é o fim de nada. Para muitas famílias, é o começo de um caminho mais claro — com mais recursos, mais suporte e mais compreensão sobre como ajudá-lo a florescer do jeito que ele é.

Se você chegou até aqui, já está fazendo a coisa certa: prestando atenção.

Deixe sua dúvida nos comentários ou entre em contato. Você não precisa passar por isso sozinho.


Leandro A. Morais 

Neuropsicólogo (CRP 06/125592)

Especialista em Applied Behavior Analysis

Especialista em Educação Especial

MBA em Gestão e Inovação em Serviços de Saúde Consultor em Saúde Aplicada ao TEA



Referência: Krug, D.A., Arick, J. & Almond, P. (1980). Tradução brasileira: Pedromonico, MRM & Marteletto, MRF (2005). Este instrumento é de uso auxiliar e não substitui avaliação diagnóstica por profissional habilitado.

 
 
 

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