Meu filho pode ter autismo? Um guia para pais que estão com dúvidas
- Leandro Morais

- 12 de abr.
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de abr.

Você percebeu algo diferente no desenvolvimento do seu filho. Talvez ele demore para falar, evite o contato visual, se isole das outras crianças ou reaja de forma intensa a sons e texturas. Talvez alguém da escola tenha dito alguma coisa. Talvez seja apenas uma sensação sua mas que não passa.
Esse momento é difícil. E é muito comum que os pais fiquem meses, às vezes anos, sem saber o que fazer com essa inquietação.
Este texto foi escrito para você.
O que você está sentindo tem nome
A mistura de preocupação, dúvida e medo que você sente ao observar algo diferente no seu filho é uma das experiências mais comuns entre pais de crianças com TEA o Transtorno do Espectro Autista. E o mais importante: perceber cedo faz toda a diferença.
Não porque o autismo seja um problema a ser resolvido, mas porque crianças que recebem suporte adequado nos primeiros anos de vida têm muito mais recursos para se desenvolver, se comunicar e se relacionar com o mundo.
Quando devo procurar ajuda?
Não existe uma resposta única, mas alguns sinais merecem atenção independentemente da idade da criança:
Não sorri de volta ou raramente demonstra expressões sociais
Parece não escutar quando chamam pelo nome
Evita o contato visual ou "olha através" das pessoas
Teve linguagem e regrediu — parou de falar palavras que já usava
Repete frases, sons ou movimentos de forma constante
Tem reações muito intensas a barulhos, texturas ou mudanças de rotina
Prefere fortemente objetos a pessoas
Tem grande dificuldade para interagir com outras crianças
Nenhum desses sinais isolados confirma o autismo. Mas a presença de vários deles, especialmente com frequência e intensidade, é um sinal de que vale a pena conversar com um profissional.
Uma ferramenta para organizar sua observação
O ABC — Autism Behavior Checklist é um instrumento criado para ajudar pais, professores e cuidadores a registrar e quantificar comportamentos associados ao autismo. Ele não faz diagnóstico — isso é papel do médico ou psicólogo —, mas ajuda a colocar em palavras o que você está observando e a chegar na consulta com informações mais claras.
Responda os 57 itens abaixo com sim ou não, baseado no comportamento do seu filho nas últimas semanas. O resultado aparece em tempo real.
Como interpretar o resultado
Pontuação | O que significa |
0 – 53 | Abaixo do ponto de corte para autismo |
54 – 67 | Zona de atenção — vale investigar |
≥ 68 | Comportamentos consistentes com autismo |
Pontuação baixa não significa que tudo está bem se você ainda sente que algo não está certo. Confie na sua percepção e converse com o pediatra.
Pontuação alta não é um diagnóstico. É um sinal de que você deve buscar avaliação especializada o quanto antes.
Quem procurar?
O caminho mais comum começa pelo pediatra, que pode fazer o encaminhamento para:
Neuropediatra — avaliação do desenvolvimento neurológico
Psicólogo infantil — avaliação cognitiva e comportamental
Psiquiatra infantil — especialmente em casos com comportamentos mais intensos
Fonoaudiólogo — quando há atraso ou alteração na linguagem
No SUS, o ponto de entrada costuma ser a UBS (Unidade Básica de Saúde) ou o CAPS Infantil (CAPSi), que oferece atendimento multidisciplinar gratuito para crianças com suspeita ou diagnóstico de TEA.
O diagnóstico não muda quem seu filho é
Saber que seu filho tem autismo não é o fim de nada. Para muitas famílias, é o começo de um caminho mais claro — com mais recursos, mais suporte e mais compreensão sobre como ajudá-lo a florescer do jeito que ele é.
Se você chegou até aqui, já está fazendo a coisa certa: prestando atenção.
Deixe sua dúvida nos comentários ou entre em contato. Você não precisa passar por isso sozinho.
Leandro A. Morais
Neuropsicólogo (CRP 06/125592)
Especialista em Applied Behavior Analysis
Especialista em Educação Especial
MBA em Gestão e Inovação em Serviços de Saúde Consultor em Saúde Aplicada ao TEA
Referência: Krug, D.A., Arick, J. & Almond, P. (1980). Tradução brasileira: Pedromonico, MRM & Marteletto, MRF (2005). Este instrumento é de uso auxiliar e não substitui avaliação diagnóstica por profissional habilitado.




Comentários